
a estática se recolhe
permanecendo somente a interferência no meu traçado elétrico
as vozes ressoam vaidosas à nossa volta enquanto ainda podem
e quando do meu silêncio,
quando já não as suporto
é porque naqueles instantes mal posso tolerar o medo de que tudo isso seja demais.
deito-me antes da lua para que eu não as escute,
nos meus sonhos apenas nossos corpos ásperos flutuando pelo salão,
balançando no ritmo da nossa melodia muda
o perfume da lavanda e das cerejas se misturariam no ar como os dois incensos cruzados em cima do criado-mudo;
eu repousaria o rosto nos seus ombros
e respirando nossos cheiros quentes, doces
nos calaríamos tranquilamente
aguardando o início de algo programado para desaparecer.
