生日快樂我的愛

meus olhos fixos na luz esverdeada do ar condicionado
pescoço arqueado para traz
meu corpo contorcido numa satisfação infame
a boca dele derretendo todas as minhas terminações nervosas
observando-me a todo instante apenas para provar a vitória inédita
aguardando o êxtase inevitável

enfeitiçada pelo impulso irresistível de dar-me por completo
enfim o gozo escorre pelas minhas coxas

e assim percebo já não poder mais escapar, meu bem
desesperada pela inocência do meu engano
me rasgo em uma rajada violenta de lágrimas quando compreendo não ser apenas você àquele a quem posso pertencer

meu peito se contrai no espasmo doloroso do nosso vazio;
indefeso, preenche-se com lembranças da ânsia irreprimível de me enrolar nos teus braços escorregadios
ouvir o som ofídico das nossas respirações ofegantes e contidas

agora ele se deita satisfeito ao meu lado
delicadamente o alieno das gotas salgadas escorrendo pelas minhas bochechas
alheio ao motivo do pranto,
vejo nos olhos dele o prazer orgulhoso rindo da fantasia da tua derrota derradeira

sinto mais um pedaço teu se desintegrando na boca do meu estômago
cada lágrima suja teu nome quando bate no algodão dos lençóis
enquanto seca minha saliva
meu sangue
o gosto amargo de uma vingança obsoleta atrai os abutres escondidos no interior do meu peito e os puxa até a beira da minha garganta para que possam assobiar furiosos toda a saudade clandestinamente reprimidas nos meus pulmões

ouvindo o canto rítmico e organizado
fecho os olhos espremendo as últimas lágrimas quentes
e posso jurar ouvi-las, querido, cantando no mesmo balanço dos abutres

“pra mostrar que ainda sou tua;
até provar que ainda sou tua