‘yes, I would watch you, learn to love you and her, too, if you’d only stay, but you’ll never be mine’*

[cortinas]

não queria te reencontrar.
entretanto, estamos aqui e portanto:
te abraçaria demoradamente
respiraria o cheiro dos teus cabelos e encostaria meus lábios úmidos de lágrimas próximos ao teu ouvido esquerdo
apenas o som das nossas respirações e teu coração disparado dentro do peito.

(apreensivo, talvez)

você sentiria o cheiro das flores de cerejeira no meu pescoço e a maciez dos meus braços
eu sentiria o calor das tuas mãos, choraria nos teus ombros
então, um segundo de eternidade depois

(…)

afasto-me
limpo as lágrimas, me desculpo; rapidamente e com uma naturalidade impecável abraço-a também.
segundos, apenas
sentiria qualquer que seja o cheiro dos cabelos loiros dela.
ela sentiria as cerejeiras também

assim acaba-se o contato
e querido: estaria destruída, em frangalhos
e não haveria qualquer suspeita em uma mulher em frangalhos.

nenhum segredo será revelado hoje
nem nunca, meu bem:

os corpos
o silêncio
a lama
o escuro
e, sobretudo, nossas presenças
isso nos dirá tudo.

[fim do segundo ato]

* Never be mine – Angel Olsen

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