
o vento entra pela janela, violento, obrigando-me a entrar de baixo de um edredom e um cobertor
uma das gatas ronrona entre as minhas pernas enquanto o outro morde de leve minhas canelas
o som das ondas é alto e ressoa pelo quarto escuro.
eu não te escrevo
você não me lê
mas me faz falta as couves e a poesia
uma receita de sopa por um segredo
um longo abraço e começaríamos pelo começo, querido
duas doses de vacina e talvez uma cerveja
em algum tempo inestipulável talvez em uma mesa de bar em comemoração a decapitação de um certo presidente
talvez essa seja minha forma de me desculpar pelos silêncios de agora e pelos versos coléricos de antes
sobre o timming não me pergunte
as palavras apenas saem ou sucumbem antes mesmo de nascerem
perdem-se, anyway
nunca lidas
se lidas nunca discutidas
enterradas, enfim
(mas temos tempo, não temos?)
((não sei,
– a pandemia dissipa as pessoas, meu bem).
