São Paulo, 30 de janeiro de 2019
essas noites solitárias, após tomar o meu calmante, sei que vou fumar um cigarro ou outro, com a cabeça preenchida por lembranças desagradáveis e falsas saudades de ti.
i can’t unlove you.
não é como se ainda te amasse, mas há um eco repulsivo. em noites solitárias. em noites de calmante.
nessas noites eu bebo goles curtos e amargos de remorso, de rancor, de saudade agridoce.
já a tempos extirpei de dentro de mim a sua forma humana, os conteúdos da sua alma, o ardor do seu toque.
agora aguardo por outro homem pela manhã, não por você. aquele que me salvou de mim mesma. agora posso ligar para ele e dizer: querido, te amo e não posso parar.
resta essa escrita truncada, ébria, colocada, depressiva, fugaz. podemos nos sentar no divã e analisar todos os fatos, não fatos, sentimentos e não sentimentos e não chegaremos a lugar nenhum.
não cheguei.
você chegou?
afetos
{voice-over: um dos três tipos de função mental, que se dividem em afeto, cognição e volição}
afetos
não consigo discernir porque os outros se foram e você não.
mas amo outro homem agora, como se minha alma dependesse disso.
