Um arremate

São Paulo, 21 de junho de 2019

eu gosto do teu silêncio
rasgando meu corpo
eu gosto da tua ausência
esvaziando-me

me enrolo nos teus silêncios
afasta os maus espíritos

imaculada para que a despedida seja final

cabal
um arremate.

não tocar-te
não reconhecer tua pessoa
engolir tua partida
aceitar a faca me cortando a distância

eu te disse que não era assim que nos salvaríamos
mas é.
foi.

a saudade ainda me dilacera porque é difícil demais não desejar tuas mãos quentes e principalmente tuas palavras doces, nossos segredos

hipoteticamente
virtual
fictício.
desejo teórico,

desses que não devem ser
não podem ser
não queremos que seja

não quero que seja

partimos e, pela última vez,
adeus.

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