São Paulo, 14 de março de 2019
perdida num rastro teu que já não há
abismo cibernético de suas pistas falsas
nessa tarde de quinta feira molhada
enjoada
anafilática
apego exagerado a um sentimento ou uma ideia desarrazoada
de procurar teu nome
procurar teu obituário nos jornais da semana
transe obsessivo compulsivo
impertinencia
despropósito todo esse tempo perdido com algo que já não há
você não há
ver-te
ver-me
ver-nos
e a obsessão chega pontualmente em alguns dias da semana talvez algumas vezes por mês e quem sabe somente alguns dias no semestre
começo novamente a me perguntar sobre todos as não-respostas as não-perguntas os não-olhares as não-verdades as não-mentiras
mas talvez seja por isso
preciso saber
minha neurose desagradável de entender
estabelecer por quais meios nos tornamos o que tornamos e des-tornamos
de uma vez por todas
saber o quanto você é aquilo que me deixou saber que era
mais uma estupidez em versos
mas não perca teu tempo com mais esse disparate
não porque me importe você
mas porque me importa o que penso de mim
que isso é um erro.
é uma falha.
imperfeição.
ainda escrever
sobre
e
só
