São Paulo, 1 de novembro de 2017
você quer que eu acorde agora, querido?
é isso?
você acha que será assim o meu despertar
com a sua faca cortando minha pele à distância?
porque corta justamente por isso
mas você sabe, não sabe?
você não entende
e nunca vai entender
não é assim que nos salvamos
e não é assim
que eu me salvo
ou você se salva
os gritos ecoam noite a dentro
meus gritos
(você não grita, grita?)
e a ferida nunca fechará
porque a saudade
me dilacera
cada parte de mim derrete esfarela estilhaça
cada dia mais
cada vez mais
e quanto mais distante de você
mais perto fica
o meu funeral
