São Paulo, 9 de junho de 2017
teus olhos azuis encontram meus olhos castanhos tão cheios de vazios e dúvidas confusas que transbordam pros seus me afogando te enforcando nos matando aos poucos vamos vivendo mortos andando sem rumo até que meus braços tocam seus braços num abraço de angústia que logo derrete o medo e finca mais forte a estaca que segura nossos corpos unidos sangrando juntos até o primeiro cair seco no chão embora continue passando entre a gente tão certeiro nos deixa vivendo sorrindo porque nada faz sentido se meus lábios não tocam seus lábios toda sexta feira são vinte e dois dias sem te ver pra que a saudade exploda seu peito e rasgue minha carne abrindo um buraco profundo de silêncio de medo até você ir embora eu ir embora não vamos embora ficamos dançamos dormindo beijando transando apertando cada vez mais a corda antiga que liga meu corpo no seu corpo no chão do quarto apertado de memórias.
