Samba da treze de maio

São Paulo, 15 de agosto de 2018

      O samba da treze toca ao fundo enquanto eu e ele estamos sentados na mesa do bar, em uma proximidade excessiva demais para qualquer telespectador mais amargurado.

      Aquele amigo dele do outro dia de repente aparece, eles trocam algumas palavras (talvez mais que algumas) enquanto eu dou cinco ou seis bocejos. É dificílimo encontrar esses amigos, esses que te conhecem. É sempre aquele mesmo diálogo: me perguntam se nos conhecemos, de onde, se somos amigos. Eu sorrio, esse meu sorriso jururu que você bem conhece. A bile sobe pela minha garganta, começo a elaborar a mesma mentira de sempre e logo vem o flashback do nosso último encontro, meus lábios quentes no seu pescoço, minhas lágrimas escorrendo timidamente e as palavras que nunca te disse: “Eu te amo, mas você parte meu coração”.

      O sorriso jururu continua enquanto respondo seu amigo com a violenta sinceridade da mentira de que sim, nós nos conhecemos, but i barely know you.

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